Em 2002, me formei em Turismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp).
Insatisfeita com a faculdade, resolvi, já no segundo ano, que concluiria o curso e prestaria vestibular novamente.
Aproveitei meu tempo ao máximo: estudei inglês, francês, espanhol e aventurei-me no italiano nos últimos seis meses de faculdade.
Fiz estágios, viajei, li, festejei, fiz grandes amigos e refleti, muito, sobre que profissão escolheria, afinal.
Apesar de ter optado por Jornalismo com muita convicção, ainda tenho dificuldades para explicar a escolha.
Gosto de ler e escrever. Meus pais sempre incentivaram a leitura e nunca economizaram em livros, assim como nunca negaram quando pedia para fazer cursos extracurriculares.
Se o motivo da escolha por Jornalismo foi o gosto pela leitura e pela escrita, e se tenho tanto interesse em línguas, por que não Letras?
Não sei. Nunca tive vontade de estudar Letras e o Jornalismo, por outro lado, sempre me atraiu.
É uma dessas coisas que não se pode explicar.
Em dezembro de 2006, finalizei o segundo curso universitário pelas Faculdades de Campinas (Facamp).
Como trabalho de conclusão de curso, escrevi um livro-reportagem sobre emigração ilegal aos Estados Unidos, com foco na cidade mineira de Poços de Caldas.
O livro serviu para reforçar minha escolha. Jornalismo é mesmo a "minha praia".
Um alívio: na segunda faculdade, não me sentia no direito de errar.
Muita gente fica surpresa quando digo que adorei fazer esse trabalho.
A verdade é que o tema há muito tempo me desperta interesse.
Em 2000, quando ainda cursava Turismo, participei de um programa chamado Work and Travel USA, que oferece aos universitários a oportunidade de trabalhar legalmente em território americano por um período máximo de quatro meses.
Trabalhei por um mês como housekeeper no hotel Hilton, em Cocoa Beach, no litoral da Flórida.
Em seguida, mudei-me para Orlando, onde trabalhei como recepcionista num restaurante da Downtown Disney.
Tanto no hotel como no restaurante trabalhei na companhia de muitos ilegais, especialmente colombianos e guatemaltecos.
As condições de vida e de trabalho desses imigrantes logo me chamaram a atenção.
Muitos deles arriscam-se na perigosa travessia da fronteira entre México e Estados Unidos.
No início de 2007, logo após o término do curso de Jornalismo, parti para o Rio de Janeiro.
Durante dois meses, estagiei na revista "piauí", de João Moreira Salles.
Em abril, Procurador Geral ,
minha primeira matéria pós-faculdade, foi publicada.
Atualmente, trabalho no Portal Pró-Menino, uma iniciativa da Fundação
Telefônica, que busca a garantia dos direitos das crianças e dos
adolescentes.
Letícia Rocha |
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